UM ROUBO A CADA DOIS MINUTOS!


Estado de São Paulo tem um roubo a cada dois minutos

Em média, na capital, uma pessoa foi morta por ladrões a cada dois dias, um aumento de 44%, em comparação aos cinco primeiros meses de 2012.

 
 

No estado de São Paulo, aumentou o número de latrocínios, ou seja, roubos seguidos de morte.

Esta semana foi marcada por um crime desse tipo: o assassinato do menino boliviano Brayan, na Zona Leste paulistana. Insatisfeito com os R$ 4,5 mil que roubou da família, o bandido atirou na criança, que estava no colo da mãe.

“Você só quer que aquilo termine logo, que você deixa levar o que tem e que reste a sua vida”, conta uma vítima.

Números da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mostram o tamanho do perigo: em média, um roubo a cada dois minutos.

Na sexta-feira (21), na Zona Leste da capital paulista, ladrões encapuzados invadiram uma casa e ameaçam os moradores: 11 bolivianos, sendo 3 crianças. Roubaram R$ 4,5 mil.

Com medo e no colo da mãe, Brayan, de 5 anos, chorava muito. O pai conta. Um dos bandidos matou o menino com um tiro na cabeça. Brayan vai ser enterrado na Bolívia.

No mesmo dia do crime, um suspeito, de 19 anos, foi para a cadeia. No sábado (29), a polícia prendeu outro rapaz, de 18.

Eduardo, de 39 anos, Renata, de 30, Reginaldo, de 51, e Felipe, de 19 anos, também foram assassinados por ladrões. Durante um mês, o Fantástico acompanhou esses e outros casos de latrocínio, que é o roubo seguido de morte.

A pizzaria já estava fechando quando dois assaltantes apareceram. Tio e sobrinho foram mortos. As câmeras de segurança registraram tudo. Em outro latrocínio, o bandido queria o dinheiro que um auxiliar de manutenção tinha acabado de sacar do banco.

Como é a investigação da polícia? E como retomar a vida, depois de perder um parente de forma tão violenta?

“Estamos pensando em vender o comércio, vender a casa e mudar de estado”, diz Luciano Vizani, pai de Felipe.

“Aquele tiro não matou só meu pai. Matou minha família inteira”, lembra Paulo Henrique Souza, filho de Reginaldo.

Vinte e sete dias se passaram e a polícia ainda não prendeu o ladrão que matou Eduardo Paiva, que era auxiliar de manutenção do colégio Sion, um dos mais tradicionais de São Paulo. O crime aconteceu perto da escola, em uma área nobre da cidade.

“Infelizmente, um ladrão tirou a vida de um pai de família, de um tio espetacular”, diz Jonathan Paiva, sobrinho de Eduardo.

O bandido fugiu com um comparsa, sem levar os R$ 3 mil que Eduardo tinha sacado do banco: dinheiro para pagar os pedreiros.

O auxiliar de manutenção estava construindo uma casa para a família. A intenção dele era mudar para o local até o fim do ano. Eduardo era casado e tinha três filhos.

“Foi um dinheiro suado, que ele trabalhou fazendo bico. Ele era tão guerreiro que eu acho que ele não queria que eu desistisse. Então, eu vou continuar, vou tentar, pelo menos, terminar de construir a casa”, diz Martha Silva Souza, mulher de Eduardo.

Nove dias depois do crime, o irmão e o sobrinho de Eduardo foram à delegacia. “Eu me senti um pouco satisfeito nas investigações. Está bem encaminhada nesse sentido. Vou lutar para, no mínimo, dar essa resposta para o meu irmão, que ele merecia”, diz o irmão da vítima.

Mas duas semanas depois, reencontramos a família de Eduardo decepcionada. “Ninguém está preso. E a gente está tentando sobreviver. O pequeno, não sei se ele entende muito, mas ele só fala que o pai dele está viajando”, lamenta a mulher de Eduardo.

Os ladrões que mataram Renata Alves em fevereiro de 2012 também não foram presos. A professora de informática estava com duas amigas em frente da casa de uma delas, na Zona Leste paulistana. Três assaltantes exigiram que Renata entregasse a chave do carro.

“Ela abriu uma das portas de trás para pegar a mochila que tinha um notebook. Acho que ela ficou preocupada: ‘puxa, levar o carro com o computador da aluna’”, lembra o irmão da vítima.

A professora levou um tiro na cabeça. O carro dela foi encontrado no dia seguinte.

“O delegado falou que é praticamente impossível de solucionar esse caso, porque latrocínio é muito difícil. Ainda mais quando não tem imagem”, diz o irmão de Renata.

Renata morava com a mãe. “Agora eu sou obrigada a fazer um bico de costura para pagar as dívidas. Eu pergunto: ‘por Deus, para que fizeram isso com ela? Por que, Pai?’”, conta a mãe.

Vinte dias depois desta entrevista, o Fantástico voltou a conversar com a mãe de Renata. “Eu não me conformo, de jeito nenhum. Eles estão soltos por aí, fazendo outros crimes”, ela disse.

No estado de São Paulo, foram 175 pessoas vítimas de latrocínio nos primeiros cinco meses de 2013. A capital concentrou quase 40% dos casos: foram 69 mortes. Em média, na capital paulista, uma pessoa foi morta por ladrões a cada dois dias, um aumento de 44%, em comparação aos cinco primeiros meses de 2012.

A polícia diz que está reforçando o combate aos roubos e que 40% dos latrocínios são solucionados, com a prisão dos bandidos.

“O latrocínio é um crime muito difícil de ser esclarecido, porque, rarissimamente, existe vínculo entre vítima e criminoso. É o encontro casual do criminoso com a vítima que ele elegeu naquele minuto”, explica Wagner Giudice, diretor do departamento de investigações sobre crime organizado de São Paulo.

Gilberto Rocha, 38 anos, estava em uma padaria da Zona Leste de São Paulo quando três assaltantes chegaram. O açougueiro tentou esconder a carteira e levou um tiro.

O produtor do Fantástico esteve no hospital. Gilberto não se lembrava de tudo, mas já teve alta.

Os bandidos não foram presos e roubaram R$ 200 do caixa da padaria.

Segundo a polícia, a maioria dos assassinos tem cerca de 20 anos. “Muitas vezes, usuários de drogas, inexperientes, nervosos e que arriscam tudo para roubar R$ 100, R$ 200”, avalia.

Diogo Barros, apelido Digão, de 18 anos, foi preso, acusado de cometer dois latrocínios. “É um ladrão que roubava as vítimas e não pensava duas vezes em atirar, mesmo sem qualquer tipo de reação”, explica Luis Fernando Teixeira, delegado do Departamento.de Homicídios de SP.

Diogo tem uma tatuagem de palhaço parecida com a de Alef Ferreira, de 19 anos, outro acusado de latrocínio. “Tem a tatuagem de palhaço, que costumeiramente ladrão usa”, diz o delegado.

Alef Ferreira e Kelvin Rocha, também de 19 anos, estão presos, acusados de roubar e matar o dono de uma pizzaria e o sobrinho dele, três semanas atrás, na Zona Norte de São Paulo.

“Desde 2008, desde os 14 anos, eles já roubavam juntos”, afirma o delegado Elder Leal.

O crime na pizzaria foi esclarecido em três dias. “O que nos ajuda muito são as câmeras de segurança e alguma testemunha presencial que possa, pelo menos, contribuir para um retrato-falado”, explica Luis Fernando Teixeira.

Alef Ferreira tem um apelido: Pepeco. Ele morava em uma favela, a menos de um quilômetro da pizzaria. Alef estudou no mesmo colégio de Felipe Vizani, o sobrinho do dono da pizzaria. Para a polícia, o fato ajuda a entender a reação de Felipe. “O Felipe reconheceu e tentou segurá-lo e por isso que aconteceu tudo isso”, diz o delegado

“A ação dele foi de bravura, mas ele não está comigo. Então, mais vale um covarde vivo do que um herói morto”, lamenta o pai de Felipe.

Segundo as investigações, foi Kelvin Rocha, o comparsa de Alef, quem matou Felipe e Reginaldo Vizani.

“O cara foi pegar a carteira, com o revólver já engatilhado. De ele pegar a carteira, o disparo ocorreu”, relata o filho de Reginaldo.

O Fantástico acompanhou o drama da família Vizani, desde o momento do crime até agora.

O pai de Felipe tem uma lanchonete, perto da pizzaria. Ele deu entrevista no dia seguinte ao crime. “Eu vou fazer o que da vida? Eu vou abrir o comércio de novo? É uma coisa que a gente vai ter que conversar bastante porque a gente fica com medo”, diz ele.

“Estou sem dormir. Meu primo, de 19 anos, moleque novo. Tinha tudo para viver”, diz o primo da vítima.

Esta semana, encontramos o pai de Felipe, trabalhando na lanchonete da família. “A gente vai levando a vida. Vai continuando. Não pode parar. Mas tudo o que eu fizer na vida, aqui, para minha família, não vai ser igual. Não vai ser”, disse.

A pizzaria que a família Vizani tem há 13 anos também foi reaberta. Com medo, um funcionário pediu demissão. “Nada vai fazer esquecer, nada vai redimir, entendeu? Então, a gente está aí tentando só manter o que ele queria, lutou”.

Já as famílias que ainda esperam a prisão de criminosas ainda esperam com um pedido: “Se tiverem alguma pista, que denunciem. Eles não mataram só uma pessoa, mataram uma família inteira”, lamenta a mãe de Renata.

http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2013/06/estado-de-sao-paulo-tem-um-roubo-cada-dois-minutos.html

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