Jovens são absolvidos da morte de estudante


Jovens são absolvidos da morte de estudante

Julgamento ocorreu 7 anos e 8 meses após Aline Soares ter sido assassinada em cemitério; Promotoria ligava crime a jogo de RPG

Defesa cogita cobrar indenização do Estado em razão da exposição sofrida pelos acusados, que chegaram a ser presos

Bruno Figueiredo/”O Tempo”

Os acusados pela morte da estudante em MG no momento em que a absolvição é anunciada pelo júri

BRENO COSTA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM OURO PRETO

Após mais de 45 horas de julgamento ao longo de cinco dias, os quatro jovens acusados de serem os responsáveis pela morte da estudante de farmácia Aline Silveira Soares, 18, em outubro de 2001, em Ouro Preto (MG), foram inocentados pelo júri popular.
O Ministério Público sustentou no processo a tese de que o crime foi fruto de um ritual relacionado ao jogo de RPG e satanismo, e que os quatro acusados -três estudantes de artes cênicas e música, então moradores de uma república, e uma prima de Aline- participaram ativamente do crime.
Foram absolvidos Camila Dolabella Silveira, 26, prima de Aline, Edson Lobo de Aguiar, Maicon Fernandes Lopes e Cassiano Garcia, todos com 27 anos. Os três moravam na república Sonata, onde Aline e Camila estavam hospedadas.
Aline foi achada nua (de meias e com um dos tênis) em um cemitério, com 17 perfurações de faca. Seu corpo estava perto de um túmulo, em forma de cruz -com braços esticados e pés sobrepostos um ao outro.
A denúncia oferecida à Justiça pela promotora Luiza Fonseca mais de três anos após o crime, porém, não apontou qual teria sido a atuação específica de cada um dos acusados na morte.
No tribunal, a promotora disse que “nem sempre é possível” haver essa especificação, mas que os indícios justificavam o pedido de condenação.
Nas 15 horas de debate entre acusação e defesa no último dia de julgamento, iniciado na quarta, a Promotoria insistiu na tese do ritual macabro, na relação dos jovens com RPG e na “fragilidade dos álibis”.
A defesa foi feita em três eixos: 1) desqualificar a denúncia, por não apontar a participação de cada acusado no crime; 2) desqualificar a investigação policial, pela não realização de todas as perícias necessárias; 3) desmontar a tese de que a morte decorreu de ritual.
Neste último ponto, um dos advogados chegou a ler o laudo da perícia, que afirmava que Aline morreu durante ato sexual no cemitério e que só se podia afirmar com segurança a presença de um agressor.
A acusação admitiu que falhas na investigação policial foram um “fator preponderante” para a absolvição.
A promotora disse, após a leitura do veredicto, feita às 5h28 de ontem pela juíza Lúcia Albuquerque e Silva, que não vai recorrer e que, “ao menos por enquanto”, o caso está encerrado.
A mãe de Aline, Maria José Silveira Soares, disse que não vai mais buscar o responsável pela morte da filha. “Vou entregar para Deus. Estou exaurida. Pelo menos estou satisfeita por ter chegado até aqui”, afirmou.
Os advogados de defesa estudam a possibilidade de entrar com ação de reparação de danos contra o Estado, devido à exposição sofrida pelos acusados ao longo do caso -os réus chegaram a ser presos.

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